Luiz Nicolau Fagundes Varella
(1841-1875)

(1841-1875)
* * *
Estrellas
Singelas,
Luzeiros
Fagueiros,
Esplendidos orbes, que o mundo aclarais!
Desertos e mares, - florestas vivazes!
Montanhas audazes que o céo topetais!
Abysmos
Profundos!
Cavernas
Eternas!
Extensos,
Immensos
Espaços
Azues!
Altares e trhonos
Humildes e sabios, soberbos e grandes!
Dobrai-vos ao vulto sublime da cruz!
Só ella nos mostra da gloria o caminho,
Só ella nos falla das leis de - Jesus!
FAGUNDES VARELLA
Bernardo Joaquim da Silva
Guimaraes
(1825-1884)

(1825-1884)
MINHA REDE
Minha rede preguiçosa,
Amorosa,
Em teu seio me embalança;
Quero ter nos ceus risonhos
Doces sonhos
De ventura e de esperança.
Neste languido desleixo
Correr deixo
Minha vida descuidosa,
Contemplando alli defronte
No horizonte
Uma nuvem côr de rosa.
Pelo vão dessa janella,
Pura e bella,
Eu a vejo deslisar;
Pelo campo ethereo voga
Qual piroga
Cortando o ceruleo mar.
Linda nuvem, quem me dera
Pela esphera
Em teus hombros ir boiando,
E pairando sobre os montes,
Horizontes
Infinitos devassando!
. . . . . . . . . .
BERNARDO GUIMARÃES
José Bonifácio de Andrada
e Silva
"O Moço" (1827-1886)

"O Moço" (1827-1886)
<< Teu nome foi um sonho do passado;
Foi um murmurio eterno em meus ouvidos;
Foi som de uma harpa que embalou-me a vida;
Foi um sorriso d'alma entre gemidos!
Teu nome foi um echo de soluços,
Entre as minhas canções, entre os meus prantos;
Foi tudo que eu amei, que eu resumia,
Dores, prazer, ventura, amor, encantos!
Escrevi-o nos troncos do arvoredo,
Nas alvas praias onde bate o mar;
Das estrellas fiz letras, soletrei-o
Por noite bella ao morbido luar luar!
Escrevi-o nos prados verdejantes
Com as folhas da rosa ou da açucena!
Oh! quantas vezes n'aza perfumada
Correu das brisas em manhan serena?!
Mas na estrella morreu, cahio nos troncos,
Nas praias se apagou, murchou nas flores;
Só guardada ficou-me aqui no peito
- Saudade ou maldição dos teus amores >>.
JOSÉ BONIFÁCIO
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