terça-feira, 19 de novembro de 2013

Amar


Amar é ter o peito, fibra a fibra,
Despedaçado por um mal secreto;
É ter; ungida de entranhado afeto,
U’a alma ardente que sonora vibra.
 
É cantar, quando o peito aflito geme;
É chorar; quando tudo ri em torno;
Ter a mente abrasada como um forno,
E, em lábios frios, uma voz que treme.
 
É sempre ver e ouvir, do objeto amado,
O olhar, a voz, o suspirar, o gesto.
No ar, no espaço, na flor, contente ou mesto,
Em tudo, vê-lo, em tudo, retratado.
 
É ter, por um momento de alegria,
Longas horas de acerbo sofrimento.
É sempre obcecado, noite e dia,
Por uma idéia só, o pensamento.
 
É sentir gozo no pungir das dores;
É sorrir, afrontando uma desgraça;
É suportar, julgando ser de flores,
Ferro grilhão que os pulsos despedaça.
 
Amar é todo o bem que, em si, resume
A terra – quente e perfumada ninho - ;
Gozo do céu - nos mimos de um carinho,
-E horrível purgatório- no ciúme.
 
É louros desejar, querer grandezas,
Para dá-las ao ente preferido;
É tudo oferecer -  gloriosas, riquezas, -
Para poupar-lhe a magua de um gemido.
 
Amar! quem há de , por aí, quem há de
Bem definir esta palavra angustia?
É chama ardente que, atraindo, assusta;
                                      - É o inferno cruel desta saudade.

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