Amar é ter o peito, fibra a fibra,
Despedaçado por um mal secreto;
É ter; ungida de entranhado afeto,
U’a alma ardente que sonora vibra.
É cantar, quando o peito aflito geme;
É chorar; quando tudo ri em torno;
Ter a mente abrasada como um forno,
E, em lábios frios, uma voz que treme.
É sempre ver e ouvir, do objeto amado,
O olhar, a voz, o suspirar, o gesto.
No ar, no espaço, na flor, contente ou mesto,
Em tudo, vê-lo, em tudo, retratado.
É
ter, por um momento de alegria,
Longas
horas de acerbo sofrimento.
É
sempre obcecado, noite e dia,
Por
uma idéia só, o pensamento.
É
sentir gozo no pungir das dores;
É
sorrir, afrontando uma desgraça;
É
suportar, julgando ser de flores,
Ferro
grilhão que os pulsos despedaça.
Amar
é todo o bem que, em si, resume
A
terra – quente e perfumada ninho - ;
Gozo
do céu - nos mimos de um carinho,
-E
horrível purgatório- no ciúme.
É
louros desejar, querer grandezas,
Para
dá-las ao ente preferido;
É
tudo oferecer - gloriosas,
riquezas, -
Para
poupar-lhe a magua de um gemido.
Amar!
quem há de , por aí, quem há de
Bem
definir esta palavra angustia?
É
chama ardente que, atraindo, assusta;
-
É o inferno cruel desta saudade.

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