terça-feira, 19 de novembro de 2013

A Vida do Viajante

Por Luiz Gonzaga
A Vida do Viajante  
Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a alegria no coração

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Mar e terra
Inverno e verão
Mostre o sorriso
Mostre a alegria
Mas eu mesmo não
E a saudade no coração

Minha vida é andar
Por esse país
Pra ver se um dia
Descanso feliz
Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
E dos amigos que lá deixei

Chuva e sol
Poeira e carvão
Longe de casa
Sigo o roteiro
Mais uma estação
E a alegria no coração...

Retirado de http://www.univesp.ensinosuperior.sp.gov.br/preunivesp/5637/a-vida-do-viajante.html

Amar


Amar é ter o peito, fibra a fibra,
Despedaçado por um mal secreto;
É ter; ungida de entranhado afeto,
U’a alma ardente que sonora vibra.
 
É cantar, quando o peito aflito geme;
É chorar; quando tudo ri em torno;
Ter a mente abrasada como um forno,
E, em lábios frios, uma voz que treme.
 
É sempre ver e ouvir, do objeto amado,
O olhar, a voz, o suspirar, o gesto.
No ar, no espaço, na flor, contente ou mesto,
Em tudo, vê-lo, em tudo, retratado.
 
É ter, por um momento de alegria,
Longas horas de acerbo sofrimento.
É sempre obcecado, noite e dia,
Por uma idéia só, o pensamento.
 
É sentir gozo no pungir das dores;
É sorrir, afrontando uma desgraça;
É suportar, julgando ser de flores,
Ferro grilhão que os pulsos despedaça.
 
Amar é todo o bem que, em si, resume
A terra – quente e perfumada ninho - ;
Gozo do céu - nos mimos de um carinho,
-E horrível purgatório- no ciúme.
 
É louros desejar, querer grandezas,
Para dá-las ao ente preferido;
É tudo oferecer -  gloriosas, riquezas, -
Para poupar-lhe a magua de um gemido.
 
Amar! quem há de , por aí, quem há de
Bem definir esta palavra angustia?
É chama ardente que, atraindo, assusta;
                                      - É o inferno cruel desta saudade.

Aparência


 
-"Ela é de gelo"- a multidão dizia,
Vendo o seu modo calmo e retraído:
-"Não lhe notais, no riso indefinido,
Alguma coisa horrivelmente fria?"
 
"Até o próprio sol, se ousasse um dia
Beijar-lhe o branco talhe do vestido,
Em montanha de neve convertido,
O azul do espaço, em breve, deixaria."
 
Uma noite, porém, vi-a chorosa,
Osculando fanada, murcha rosa
Que apertava de encontro ao coração.
 
Adivinhei que o gelo era aparente,
Que, sob a neve, palpitava ardente
A lava incandescente de um vulcão.
 
Santa Luzia, 20 de Novembro de 1899.
 
                                                                                  (Lírios da Juventude. p.20. 1909)